Noites Paulistanas

RETIRADO DE Carta Capital

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Noites paulistanas

por Luiz Gonzaga Belluzzopublicado 06/08/2015 19h23
Três garotos negros parados por policiais… E a surpresa dos PMs ao descobrir que um deles era poliglota e morava em Estocolmo
Oswaldo Corneti/ Fotos Públicas
policia-militar

“A trombada policial só confirmou a sensação de não se adequar a uma sociedade hipócrita”

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Cozinha brasileira?… Só em casa ou em livro

TEXTO RETIRADO DO SITE Jangada Brasil – originalmente em Revista Visão. Rio de Janeiro, 20 de novembro de 1959

Cozinha brasileira?… Só em casa ou em livro

Durante o recente congresso dos agentes de viagem da Asta em Havana, Mário Saladini, diretor do Departamento de Turismo e Certames da prefeitura do Distrito Federal, distribuiu aos congressistas uma gravação especial, LP, intitulada Ritmos do Brasil, com uma seleção de grandes sambas. E quando do banquete de encerramento, um delegado lamentou, diante dos eternos pratos dessa já cansativa e confusa cozinha internacional, que juntamente com os samba não fosse também servidos alguns pratos tipicamente brasileiros, “que o Brasil, sem dúvida devia ter”.

E tem realmente. E todo mundo sabe disso. Mas, já sem falar em termos de turismo, a cozinha brasileira é a grande esquecida, a filha órfã dos investimentos inteligentes. É a cozinha sem restaurantes. Onde comer – decentemente – pratos típicos brasileiros como a galinha cabidela, o sururu, o sarapatel, o arroz de carreteiro, o pato ao tucupi, para citar alguns saborosos desconhecidos – e mesmo o vatapá e a própria feijoada? Os pratos típicos comuns das nossas anteriores gerações, como que movidos por uma absurda vergonha, cederam lugar ao monótono bife com batatas e se recolheram, num inexplicável confinamento, às residências particulares ou a autênticos freges onde impera a sujeira, e aos quais se vai com um misto de espírito de aventureiro e de pesquisador de folclore. E quando se leva um visitante estrangeiro, teimoso por conhecer uma comida brasileira, o gula pede desculpas pela falta de asseio, e o gentil visitante responde rindo, como quem compreende o afago do xavante, que “é interessante pela cor local”.

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Pequena História do Brasil Guloso

TEXTO RETIRADO DE http://www.geocities.ws/mangueiras2/cozinha/guloso.htm
Em 23/06/2014

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Pequena História do Brasil Guloso

Já existe uma cozinha brasileira? Paulo Duarte, que entende do assunto (eu ia escrever do riscado, mas não achei próprio), não chega a afirmar que sim mas não chega a jurar que não. Nas suas Variações sobre a gastronomia ele observa, muito delicadamente, que as comidas dos vários países novos da América, embora saborosas e cheias de predicados, ainda estão em fase de fixação, fixação que, no caso brasileiro, tem base portuguesa, com três influências grandes: indígena, africana e francesa, notando-se, nitidamente, nos pratos característicos, as diversas correntes de sua formação. Mas Paulo Duarte reconhece que a cozinha brasileira não é, na realidade, igual a nenhuma das que a formaram. E cita o caso do cozido, riquíssimo em Portugal dos derivados de porco, no Brasil farto em legumes e carne de vaca.

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